Nas ruas de Belchite reina um silêncio perturbador. Mas há há pouco mais de setenta e cinco anos as coisas eram bem diferentes. Por essa altura Espanha estava em plena guerra civil e a cidadezinha, localizada em Aragão, a uns 40 km a sudeste de Saragoça, tinha cerca de 3 mil habitantes. O exército Republicano tentava desesperadamente chegar à capital da região, e Belchite interpunha-se-lhe, defendida por unidades de Franco. Quando a batalha terminou, os atacantes puderam içar a sua bandeira nos destroços da cidade, que serviu de túmulo a mais de seis mil combatentes.
Terminada a guerra, o general Franco decidiu manter as ruínas intocadas, como testemunho da barbárie comunista. Uma nova Belchite foi-se erguendo ao lado do “pueblo viejo”, construída basicamente por prisioneiros políticos. Hoje, a cidade não é mais do que uma aldeia. Com o tempo perdeu importância. O encerramento da fábrica de cablagem que a Opel ali mantinha destruiu todos os postos de trabalho disponíveis para a comunidade. Saragoça é demasiado distante para uma viagem diária em busca do ganha-pão. Os jovens partiram, ficaram os velhos para trás, e isso sente-se nas ruas.
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